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Síndrome do Pânico: a doença da modernidade10 min read

Após um assalto, a atriz Kim Kardashian passou a ter frequentes crises de desespero que afetam a sua rotina. Conheça as características desse transtorno e saiba o que fazer para vencê-lo

Síndrome do Pânico: a doença da modernidade10 min read

No início do mês de outubro, a modelo e atriz norte-americana Kim Kardashian foi feita refém dentro de seu apartamento no Hotel de Pourtalí¨s, em Paris, na França. Os criminosos roubaram cerca de US$ 11 milhões em joias.

De acordo com o site E! Online, a atriz ficou muito abalada emocionalmente com o episódio, passou a ter flash-backs dos momentos de tensão e começou a fazer terapia. Segundo a página, fontes próximas à modelo informaram que ela estava tendo frequentes crises de pânico. “Ela não está bem, está pior do que pensam. Tem tido ataques de pânico e se recusa a ficar sozinha”, disse uma delas.

O medo de ser assaltada novamente é tão grande que ela não consegue mais sair de casa para cumprir seus compromissos. Kim teria cancelado uma grande festa que faria para comemorar seu aniversário, em Las Vegas, nos Estados Unidos, e decidido ficar reclusa em sua mansão em Los Angeles para se proteger contra novos crimes e desastres. Para isso, providenciou a construção de um “quarto do pânico”, que custará cerca de US$ 100 mil.

Segundo a revista InTouch Weekly, o local que abrigará a família de Kim em caso de assaltos e atentados possuirá muitas câmeras e será resistente a incêndios e terremotos.

Ainda conforme a publicação, fontes afirmaram que essa decisão é mais um sinal de que a modelo ficou mesmo traumatizada com o assalto. “Ela está paranoica e não tem dormido direito”, revelou uma informante.

Que transtorno é esse

O que acontece com Kim é mais comum do que se imagina. Trata-se da Síndrome do Pânico ou Transtorno do Pânico (TP), termo mais usado atualmente, que acomete mais de 280 milhões de pessoas no mundo todo, segundo a Organização Mundial da Saúde.

Conhecida como a doença da modernidade,até pouco tempo atrás, era mais frequente em mulheres do que em homens. Mas esse quadro vem mudando com o passar do tempo. Atualmente, o problema geralmente atinge pessoas entre 21 anos e 40 anos que se encontram em fase de plena realização profissional. São pessoas produtivas, que assumem uma carga excessiva de responsabilidade e possuem tendência a se preocupar excessivamente com problemas do cotidiano.

Para a psiquiatria, é um distúrbio caracterizado por crises de medo e desespero, que ocorrem em qualquer período do dia e em diferentes situações, como enquanto a pessoa está dirigindo, fazendo compras, participando de uma reunião, assistindo a um filme no cinema ou até mesmo dormindo.

O psiquiatra Isaac Efraim explica que os ataques são repentinos e provocados por uma situação de ansiedade. “Ela ocorre quando a pessoa tem uma sensação de falta de controle, consciente ou inconsciente, que se manifesta através de sintomas agudos de ansiedade generalizada ou localizada, sempre muito intensa”, afirma.

Para caracterizar o transtorno, a pessoa deve sentir pelo menos quatro sintomas relacionados, como taquicardia, tremores, vertigens, dor no peito, sudorese, etc. O pico das crises geralmente dura 10 minutos. Mas, na verdade, bastam 30 segundos para a pessoa, que se sentia bem, ser tomada pela sensação de que vai morrer.

A síndrome pode ser desencadeada por um trauma, como no caso de Kim, mas essa relação não é obrigatória. Muitas pessoas desenvolvem ataques de pânico sem que haja uma causa definida. “Esse distúrbio é nitidamente diferente de outros tipos de ansiedade, sem fatores aparentemente desencadeantes. São pessoas cronicamente ansiosas e controladoras, que manifestam a falta de controle diante de razões
reais ou imaginárias”, destaca o especialista.

Ele não tinha controle

Síndrome do Pânico: a doença da modernidadeO estudante Diego Moura, de 19 anos, (Foto ao lado) lembra bem da época que sofria de Síndrome do Pânico, entre os 15 e os 17 anos. Ele tinha medo de morrer e a sensação de estar sendo perseguido. “Eu achava que a
qualquer momento eu seria baleado, atropelado ou que aconteceria algo do tipo que me mataria”, revela.
O pânico era tamanho que Diego chegava a dormir com uma câmera ligada em seu quarto, com medo de morrer enquanto estivesse dormindo.

Um dos principais sinais de que iria ter uma crise era a movimentação involuntária de suas mãos. “Elas fechavam sozinhas sem o meu controle e sentia uma grande pressão no coração, acompanhada de uma falta de ar constante. A tremedeira e a taquicardia tomavam conta do meu corpo nas crises”, conta.

Ele recorda de um ataque que o deixou com a sensação de que morreria naquele momento. “Estava na sala de aula, alegre, quando, depois de alguns instantes, um medo avassalador tomou conta de mim. Comecei a ficar transtornado, sem ar. Fui até o pátio com uma amiga e meu corpo tremia todo. Em seguida, comecei a chorar, pensando que a morte tinha vindo me buscar”, lembra.

Naquele dia, ele não sabia que se tratava de um ataque de pânico. Mas, com o passar do tempo e a recorrência das crises, foi diagnosticado que ele tinha desenvolvido a síndrome. “Em uma das primeiras crises, fui levado às pressas ao hospital com dor no peito. Os médicos diagnosticaram que era um início do transtorno”, diz.

Os médicos haviam lhe receitado ansiolíticos. Mas era no uso de drogas que ele tentava se remediar. Só que, em vez de aliviar os sintomas, claro, sentia piora. “O uso da cocaína só agravava ainda mais os ataques”, dispara.

Após as crises, ele ficava ainda mais triste. “O medo me dominava ainda mais, porque sentia que a qualquer momento tudo poderia acontecer de novo”, revela.

Depois de sofrer durante dois anos, Diego recorreu às Reuniões de Libertação na Universal. Lá, ele entendeu o que deveria fazer para ser curado definitivamente do Transtorno do Pânico. “Após um forte ataque, que quase me levou à morte, me entreguei a Deus e Ele se manifestou na minha vida. Então, passei a ser um jovem feliz, com paz e nunca mais tive nenhuma crise”, comemora.

Dificuldade de diagnóstico

A Síndrome do Pânico distingue-se da crise de ansiedade pela intensidade dos sintomas e pela imprevisibilidade da ocorrência. A ansiedade é um estado emocional normal do ser humano. Mas, quando passa a causar sofrimentos e prejuízos à sua vida, torna-se patológica.

O psiquiatra Ricardo Torrezan explica que o transtorno é caracterizado quando os ataques passam a ocorrer repetidamente. “Acontecem de forma recorrente, podendo se repetir em um mesmo dia ou mesmo em intervalos de dias. Por isso, os indivíduos passam a temer que as crises voltem”, aponta o especialista, que é colaborador no Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
Como as sensações provocam pensamentos trágicos no indivíduo, é comum que ele tenha uma reação de fuga em uma situação de emergência. “Os sintomas são desconfortáveis. Então, muitos acham que estão morrendo ou acreditam que estão tendo um infarto ou derrame, por exemplo”, comenta Torrezan.

Muitos pacientes demoram meses ou anos para descobrir que sofrem desse distúrbio. “Muitos chegam a um pronto-atendimento dizendo que estão tendo um infarto. Muitas vezes, exames com eletrocardiograma são feitos e nada é achado. Se o clínico não tiver conhecimento sobre transtornos psiquiátricos, poderá ter dificuldades para diagnosticar e tomar as providências necessárias”, aponta o psiquiatra Marcio Bernik, do Ambulatório de Ansiedade (Ambam), do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Além disso, como as crises duram poucos minutos, é comum os pacientes chegarem ao hospital sem os sintomas e saírem de lá apenas com a frase “você não tem nada”.

Com a recorrência das crises, uma série de consequên-cias começa a se manifestar. A pessoa não consegue prever quando poderá ter um novo ataque e, então, fica preocupada com o fato de apresentar novamente os sintomas em uma situação que não consiga encontrar ajuda, como dentro de elevadores, metrô, aviões, sala de espera, congestionamentos, etc.

Dessa forma, ela desenvolve a Agorafobia, um distúrbio do Transtorno do Pânico que se caracteriza por fugir de situações que possam representar o perigo de novas crises. “Isso gera limitação para a pessoa. Ela passa a restringir sua vida ou a depender da presença de outros sempre por perto. E pode afetar seu desempenho no trabalho, no convívio com os outros e causar muito sofrimento”, esclarece Bernik.

Doenças imaginárias

Síndrome do Pânico: a doença da modernidadeTarciso Mota Pires, de 30 anos, (foto ao lado) teve sua vida completamente afetada pelo Transtorno do Pânico. No início da juventude, ele não podia ouvir o nome de alguma doença grave, como câncer ou Aids, que logo começava a ter crises. “Se eu ouvisse alguém falando sobre uma doença, já me imaginava doente também e que iria morrer”, relata.

Os ataques, que geralmente ocorriam em locais com muitas pessoas, eram acompanhados de tremores, sudorese, falta de ar e palpitações. “Um dia eu estava na casa de minha namorada quando comecei a suar frio, fiquei nervoso, comecei a ter falta de ar e parecia que seria meu fim. Saí de lá às pressas”, relembra.

A fuga das situações era constante. Tarciso preferia ficar sozinho para que ninguém visse seu sofrimento. “Me trancava no quarto e ficava chorando, sem que ninguém percebesse”, diz.

As crises começaram a acontecer depois de um acidente de trânsito com uma prima e da morte de seu avô. “Ele morreu de câncer de estômago gritando de dor na minha frente. Desde então, passei a sofrer”, explica.
O problema passou a trazer prejuízos na área profissional. “Na época, eu não conseguia me concentrar nas tarefas. Então, fui demitido do emprego”, conta.

Apesar de tomar remédios, as crises e a sensação de estar enlouquecendo continuavam. No âmbito psiquiátrico, esse transtorno geralmente é tratado com uma combinação de tratamento médico, psicológico e com terapias naturais. Entretanto, foi com a ajuda de Deus que Tarciso conseguiu se livrar dos problemas internos para se curar do distúrbio.

Após o convite de uma prima para ir à Universal, ele não apresentou mais crises. “Quando comecei a participar, passei a lutar contra aquele medo e contra os pensamentos ruins que tinha. Usando minha fé, após três meses, obtive uma nova vida”, finaliza.

A sindrome entre as famosas

Por mais controladas que pareçam estar, as celebridades não são exceção quando se fala em Transtorno do Pânico. A atriz Amanda Seyfried (à dir.), que interpretou Cosette no filme Os Miseráveis (2012), disse à revista Glamour que faz terapia regularmente para lidar com seus ataques de pânico. Apesar do progresso, ela afirmou: “ainda fico muito nervosa, em parte porque acho que penso e analiso demais as coisas. Começo a me preocupar com meus pais e meu cachorro. Imagino que ele está abrindo a janela do meu apartamento e caindo”, revelou.

A cantora pop Selena Gomez também teve crises de pânico associadas à depressão, desencadeadas pelo lúpus, uma doença que afeta o sistema imunológico. Ela deu uma pausa na carreira para se internar em uma clínica de reabilitação. “Eu descobri que ansiedade e ataques de pânico podem ser efeitos colaterais da doença”, disse à imprensa internacional.


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  • Por Jaina Medeiros / Fotos: Reuters, João Moura e Marcelo Alves / Arte: Edi Edson  


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