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Seus passos são controlados por outra pessoa?5 min read

Humilhações, controle e ameaças constantes são sinais de abuso psicológico, um problema que pode gerar depressão e até se transformar em violência física

Seus passos são controlados por outra pessoa?5 min read

Seu companheiro ou companheira costuma dizer frases como “você não vai com essa roupa”, “você não é ninguém sem mim”, “o que você está fazendo no celular?” ou “você não sabe de nada”? Se a resposta for sim, cuidado: esses são sinais de um relacionamento abusivo. Embora a violência física e a sexual sejam bem conhecidas, a violência psicológica é mais comum do que muitos imaginam.

O abuso psicológico ocorre quando existem humilhações, controle e ameaças constantes contra uma pessoa. Vítimas desse tipo de abuso podem sofrer com baixa autoestima, ansiedade, crise de pânico e até depressão. Em muitos casos, a violência que começa com palavras também termina em agressão física. A psicóloga Marina Simas de Lima diz que as mulheres são as principais vítimas desse tipo de abuso. “Quem pratica abuso psicológico quer manter o relacionamento como se fosse uma gangorra. Não existe equidade entre as duas partes, pois uma pessoa sempre quer ficar em cima.”

Para se ter uma ideia do tamanho do problema, basta dar uma olhada na Pesquisa Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, de 2015. Ela indica que 18% das brasileiras já sofreram violência doméstica. Dessas vítimas, 48% relataram que foram alvo de violência psicológica.

Sufocar

Seus passos são controlados por outra pessoa?Marina explica que o abuso psicológico está relacionado à sensação de sufocamento. “O abusador usa vários recursos para manter o domínio e uma posição de superioridade na relação. Ele controla o uso de celulares, e-mails, o tipo de roupa, os lugares que a outra pessoa frequenta e os relacionamentos com amigos e familiares. Outra atitude comum é desqualificar a vítima, dizer que ela é burra, por exemplo. O abusador sufoca a outra pessoa”, avalia ela, que é cofundadora do Instituto do Casal.

A especialista afirma que muitas vítimas acabam ficando desorientadas por causa dos comentários do abusador. “A pessoa começa a questionar a própria compreensão da realidade e fica insegura e com baixa autoestima.” Esse tipo de abuso também provoca o isolamento da vítima, que se afasta cada vez mais das pessoas.

Pais superprotetores

Embora o abuso psicológico seja mais comum contra mulheres, esse tipo de situação acontece também entre pais e filhos ou entre amigos e colegas de trabalho. Pais superprotetores, que querem controlar cada passo do filho, podem estar cometendo uma forma de abuso psicológico. “Há muitos casos de pessoas que foram vítimas da superproteção de pais que querem decidir tudo: com quem ela sai, dar opinião e controlar cada escolha. Dependendo do caso, a pessoa foi tão superprotegida que não tem autonomia para fazer nada sozinha. Ela fica sem autonomia emocional, financeira, não aprende a se virar”, esclarece a psicóloga. “Os pais não fazem isso de propósito, mas precisam aprender a colocar limites na própria atuação para que os filhos possam ter a individualidade necessária para se desenvolver”, aconselha.

Trabalho e amigos

Em ambientes profissionais, o abuso psicológico está relacionado a situações em que um colega deseja ter mais poder sobre os outros ou uma posição de mais destaque. “No mercado de trabalho, muitas vezes a competição é forte para ter um cargo ou salário maior, então existem alguns jogos de domínio, só que aí muda de nome e vira assédio moral”, avalia Marina.

Entre amigos, o abuso psicológico pode ser mais sutil, embora também seja frequente. “Sempre tem uma pessoa no grupo que quer escolher aonde as outras vão, o que vão fazer, ela antecipa e decide tudo, quer estar sempre por cima”, exemplifica.

Ajuda

Se você desconfia que sofre abuso psicológico, busque ajuda. Converse com pessoas que não estejam envolvidas na situação e procure um especialista. “A saída é reconhecer que a coisa não está boa, que tem algo estranho e se fortalecer, fortalecer a autoestima”, ensina. Se você costuma controlar as pessoas ao seu redor, vigia o celular ou diz frases humilhantes, deve buscar apoio para mudar esse comportamento. “A pessoa precisa aprender a desenhar um novo modelo de relacionamento, buscando uma igualdade maior entre as partes e respeitando a individualidade do outro.” O abuso pode ser denunciado em uma delegacia ou por meio de denúncia anônima no telefone gratuito 180.

Mulheres que sofrem violência psicológica podem buscar apoio em grupos especializados como o Raabe, um projeto criado para valorizar e dar assistência gratuita a mulheres que carregam algum tipo de trauma. Para entrar em contato com o Raabe, basta acessar o site godllywood.com/projetoraabe, enviar um e-mail para projetoraabe@gmail.com ou mandar um WhatsApp para (11) 95349-0505.

7 sinais de abuso psicológico

Perda de liberdade: o abusador “escolhe” os lugares que podem ser frequentados. Em geral, a vítima só pode sair acompanhada dele e quando ele permitir.

Isolamento social: a perda de liberdade gera isolamento social, pois a vítima acaba se distanciando de amigos e familiares.

Controle do uso de celulares e e-mails: o abusador controla telefonemas, mensagens e e-mails. Tem acesso às senhas e decide com quem a vítima pode ou não se comunicar.

Controle sobre a aparência: o abusador tem poder sobre roupas, maquiagem, corte de cabelo da vítima, etc.

Repreensões públicas: a vítima pode ser constantemente constrangida em público por seus comportamentos.

Abuso do poder econômico: quando o abusador é responsável pelas finanças do casal, ele usa esse poder para controlar a vítima.

Ameaças constantes: a vítima pode ouvir ameaças e agressões verbais como “você não é ninguém sem mim”, “ninguém vai querer você”, “você é burra”, “você é feia”.

*Dicas elaboradas pelas psicólogas Marina Simas de Lima e Denise Miranda de Figueiredo, fundadoras do Instituto do Casal


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  • Por Rê Champbell / Fotos: Fotolia 


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