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Por que não quero ser mãe4 min read

Pode ser um amor lindo, imenso, incrível, mas você tem o poder de decidir se quer vivê-lo ou não. O importante é estar em paz com suas escolhas

Por que não quero ser mãe4 min read

Antes de iniciar nossa reportagem, entrei em contato com algumas mulheres que por algum motivo não são mães. Algumas não responderam; outras não quiseram fazer parte da matéria. Também li dezenas de matérias e postagens em blogs pessoais sobre o assunto, bem como alguns dos milhares de comentários. Uns abordavam a coragem de muitas mulheres; outros descreviam as alegrias que a maternidade traz. O que pude perceber é que o assunto ainda é muito delicado e, por mais que muitas tenham abraçado a decisão de não serem mães, colocar isso na mesa de conversa ainda é um tabu e ainda assusta.

Pressão social

No Brasil, o arranjo familiar formado por casal sem filhos chegou a 19,9%, em 2014. Em 2013 era de 19,4% e, dez anos antes, de 14,7%, de acordo com a Síntese de Indicadores Sociais 2015 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Mas, segundo a psicóloga Cleunice Santos Guedes, ainda que o casal opte por não ter filhos, a decisão cultua uma mudança histórica que ainda precisa ser aceita. “Notam-se preconceitos e julgamentos difusos no discurso social, que geram polêmicas e fomentam sentimentos diversos, entre eles o de culpa. Percebe-se ambivalência no pensamento das próprias mulheres.

Medo e insegurança, inconsciente e conscientemente, permeiam o mundo interno dela e interferem nas escolhas e decisões”, comenta.

Ela enfatiza que a opção da mulher pela “não maternidade” se configura como um desafio a passar por eventuais pressões, “pois para a família e sociedade ainda soa estranho. Daí a importância de estar bem resolvida emocional e psicologicamente em relação a essa questão”.

E na velhice, quem vai cuidar de você?

A dentista Patrícia Luiza, que já tem mais de 30 anos, e a jornalista Tâmila Dalila, de 33 anos, não se conhecem. Enquanto uma reside em São Paulo; outra mora do outro lado do mundo, na terra dos cangurus, a Austrália. Mas eu diria que, caso se encontrassem, teriam muito o que conversar. Isso porque Patrícia, casada há nove anos, e Tâmila, há 11 anos, disseram não à maternidade. “O pensamento de que eu iria me arrepender me deu uma atormentada, sabe? Antes até tinha vontade de ter filhos, mas acredito que fosse por conta de a mulher crescer brincando de boneca e a sociedade colocar que a gente tem que ser mãe”, diz Tâmila.

A jornalista se admira com o que muitos pensam a respeito de sua decisão, que, para ela, atualmente é algo natural. “é impressionante a cobrança da família e dos amigos. Mas eu e meu marido temos uma decisão sólida, que amadurecemos aos poucos, baseada no nosso relacionamento e no futuro”, comenta.

Quanto ao que muitas mulheres pensam de quem vai cuidar delas na velhice, Patrícia comenta: “muitas pessoas têm não sei quantos filhos e nenhum cuida delas. Meu marido me diz sempre que vai cuidar de mim e eu dele. Se ele morrer antes, Deus cuidará de mim e se, eu morrer antes, Deus cuidará dele”.

Outro fator para Tâmila é que o mundo está cada vez pior: a violência, a corrupção, entre outros. “Para que a gente vai colocar uma criança no mundo? Para sofrer com tudo isso?”

Patrícia tem um pensamento semelhante. “Vou parecer meio radical, mas a maternidade para mim é algo muito sério. Uma criança requer cuidados. Começando por um bom planejamento desde o preparo financeiro (se quer oferecer o melhor a ela). Uma vez ouvi a escritora Cristiane Cardoso dizer que hoje as mulheres querem ter filhos, mas não querem ser mães, o que é verdade. O compromisso de educar, de cuidar não pode ser dos avós, das escolas e babás. A responsabilidade e a preocupação com um filho começam quando ele nasce e, não importa a idade, sempre existirá um vínculo que o une aos pais”, conclui.

O Godllywood visa auxiliar mulheres em toda e qualquer situação, desde que ela deseje realmente ser auxiliada e moldada para uma mulher melhor. Conheça mais sobre o grupo e saiba como participar dos projetos clicando aqui.


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  • Por Flavia Francellino / Foto: Reprodução 


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