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Pequenas corrupções, grandes negócios?3 min read

Pesquisa mostra que atitudes antiéticas não são gradativas

Pequenas corrupções, grandes negócios?3 min read

Existem alguns assuntos que estão sempre presentes em conversas pelo Brasil afora. Um deles, com certeza, é a corrupção. Não é de hoje que os jornais estampam em suas capas manchetes sobre operações para prender corruptos e cessar de vez com essa prática.

Muitos diriam que ela já está tão entranhada em nossa sociedade que é cometida até mesmo em pequenas ações do dia a dia. E isso não ocorre apenas no Brasil, mas em todo o mundo. é o que mostra um estudo holandês realizado para investigar como um cidadão inicialmente honesto se transforma em corrupto.

Os especialistas do Departamento de Psicologia Experimental e Aplicada da Universidade Livre de Amsterdã queriam saber se, para cometer um ato de corrupção, seria preciso passar por uma fase de preparação, agindo de forma aparentemente mais suave antes de dar um grande golpe.

Para ilustrar quando uma pequena brecha no comportamento – algo considerado moralmente aceitável – é vista como desculpa para coisas cada vez mais questionáveis, os estudiosos utilizaram a expressão “Slippery slope”, algo como ladeira escorregadia, que levaria o “corrupto em fase inicial” a pensar que não está fazendo nada de mais. Dessa forma, ele continua a ter uma autoimagem positiva, sem perceber que ultrapassou uma linha perigosa quando faz algo mais sério.

De acordo com Nils Kí¶bis, responsável pela pesquisa, os resultados indicam que a transformação pode acontecer repentinamente e que, se houver oportunidade, qualquer um está sujeito a cometer um ato de corrupção.

Testando a honestidade

Para chegar a essa conclusão e testar a validade da hipótese, os pesquisadores organizaram uma espécie de leilão, em que dois participantes recebiam uma quantia fixa de créditos virtuais e tinham que dar lances para ver quem ganhava o prêmio da brincadeira. Cada jogador desempenhava o papel de dono de uma construtora, enquanto outro fazia o papel de funcionário público responsável por administrar o leilão.

A estratégia honesta era fazer a oferta máxima, de modo que o funcionário público dividisse a licitação igualmente entre as duas empresas. Assim, ambas tinham lucro. Contudo, era possível oferecer suborno ao funcionário público, o que dava aos donos da empresa uma vantagem injusta em relação a seu concorrente. “Quando havia a oportunidade de oferecer a superpropina, as pessoas tendiam a agarrá-la. O comportamento antiético nem sempre surge gradualmente, mas, às vezes, ocorre de forma abrupta, espontânea e inesperada. As pessoas podem querer obter as vantagens ligadas a formas marcantes de corrupção em uma única ação”, diz Kí¶bis.

Trazendo para nossas vidas, vemos exemplos de corrupção todos os dias. Furar a fila do banco ou do ônibus, guardar o lugar quando há pessoas esperando na sua frente, sentar no banco preferencial enquanto aquele idoso ou grávida está em pé no transporte público, trafegar com o carro pelo acostamento durante um congestionamento, inventar álibis para recorrer de multas de trânsito, usar o sinal da TV a cabo ou a luz elétrica do vizinho, entre outros exemplos. São pequenos absurdos que mostram como algumas pessoas podem tirar vantagens indevidas de outras pessoas ou situações.

é muito fácil criticar quem é corrupto. Difícil é olhar para o próprio umbigo e enxergar as ações corruptas cometidas, por menores que sejam. A corrupção só acabará quando escolhermos não praticá-la. Agindo assim, nossa consciência nos alertará para atitudes equivocadas que possam prejudicar poucas ou muitas pessoas, independentemente da situação.


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  • Por Eduardo Prestes / Foto: Fotolia 


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