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O assédio faz parte do cotidiano das brasileiras3 min read

Ter o corpo tocado, ser perseguida na rua e ouvir comentários de cunho sexual são alguns dos abusos enfrentados pelas mulheres. Entenda o problema e ajude a combatê-lo

Quem não conhece uma mulher que já sofreu assédio sexual no transporte público? Infelizmente, ter o corpo tocado sem consentimento ou ouvir comentários de teor sexual faz parte do dia a dia da maioria das brasileiras. Os abusadores costumam se aproveitar de locais cheios para disfarçar o assédio. Muitos “encoxadores”, por exemplo, usam a falta de espaço em ônibus e trens como desculpa para friccionar o corpo contra o das vítimas.

No Brasil, 86% das mulheres ouvidas em uma pesquisa do Instituto YouGov sofreram assédio em espaços públicos em suas cidades. O assobio é a forma mais comum, com 77% dos casos, seguida por olhares insistentes (74%), comentários de cunho sexual (57%) e xingamentos (39%). Metade das mulheres disse que já foi seguida nas ruas, 44% tiveram seus corpos tocados, 37% afirmaram que homens se exibiram para elas e 8% foram estupradas. O estudo ouviu 2.500 mulheres com idade acima de 16 anos no Brasil, na índia, na Tailândia e no Reino Unido.

Medo

A banalização do assédio e das cantadas de rua leva muitas pessoas a acreditar que esse tipo de ato é “normal” ou “aceitável”. Mas a verdade é que a maioria das mulheres sente medo, como revelou a pesquisa Chega de Fiu Fiu, da ONG Think Olga. Segundo o estudo, 99,6% das entrevistadas já receberam cantadas e 80% não gostam desse tipo de assédio. Por causa da humilhação e da vergonha, muitas vítimas ficam caladas ou não sabem o que fazer. O medo também faz com que muitas mulheres evitem certos lugares e até mudem de planos para escapar de abusos.

Questão cultural

O assédio a mulheres em locais públicos reflete uma cultura em que a mulher é vista como inferior ao homem. Essa posição inferiorizada fica explícita em casos de violência doméstica, na exploração do corpo feminino em propagandas e na desigualdade no mercado de trabalho. Até hoje, muitos homens acreditam que o corpo da mulher é um objeto sexual à disposição do prazer masculino. Enquanto isso, muitas mulheres são ensinadas a acreditar que são culpadas pelos abusos, o que impede muitas denúncias. Por isso, vale lembrar: nenhuma mulher é culpada por sofrer assédio.

Denuncie

A educação é uma das formas de combater os abusos. Desde cedo, meninos e meninas devem aprender a respeitar e a tratar homens e mulheres com respeito. A denúncia é outra ferramenta importante. Por isso, não se cale ao ver uma mulher ser assediada. Denuncie em uma delegacia mais próxima ou pelo telefone gratuito 180.

é crime

Segundo o artigo 216 do Código Penal, o assédio sexual caracteriza-se por constrangimentos e ameaças com finalidade de obter favores sexuais feitos por alguém de posição geralmente superior à da vítima. A pena de detenção varia entre um e dois anos. Já o artigo 233 enquadra o ato obsceno como uma ação de cunho sexual em locais públicos, como exibir os genitais, para constranger ou ameaçar alguém. A pena varia de três meses a um ano ou pagamento de multa. Já a Lei 12.015/2009 define o estupro como o ato de constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso. A pena é de seis a dez anos de reclusão.


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  • Por Rê Campbell / Foto: Fotolia 


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