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Deficiente visual é constrangida na praia2 min read

Banhista se incomodou com a presença do cão-guia e chamou a polícia

Deficiente visual é constrangida na praia2 min read

Olga Solange Herval Souza tem 57 anos. Ela é deficiente visual, nasceu sem visão. Ela tem um cão-guia chamado Darwin. Nas palavras dela, “o cão-guia é o melhor elo entre a pessoa cega e o restante da sociedade”. O cachorro a ajuda em sua rotina, como transitar pela rua, tomar táxi, ir ao banco. No último dia 28 de fevereiro, Olga e Darwin viraram notícia. A mulher foi constrangida por estranhos no Balneário Camboriú, em Santa Catarina, onde ela, que é professora, passava as férias. Uma banhista se incomodou com a presença do cachorro na beira da praia e chamou a polícia.

Três policiais militares cercaram a professora. Um deles lhe disse que o cachorro não poderia estar no local. “Um dos policiais me disse que tinha recebido a denúncia de um cachorro solto na praia e de que as pessoas estavam se sentindo ofendidas moralmente e fisicamente com a situação”, disse ela. Olga já passou por situações embaraçosas em outras ocasiões. Ela é pioneira no uso de cão-guia no Brasil e explicou pacientemente que a lei existe há mais de dez anos para facilitar a mobilidade de cegos tanto em espaços privados quanto nos públicos, como a praia, mas foi totalmente ignorada. “Eu expliquei e repeti diversas vezes sobre a lei, mas eles não compreenderam. Muita gente não sabe e acha que se trata de um cachorro comum, o que neste caso não era. é preciso entender que eu não deixo de ser uma pessoa com deficiência mesmo estando no meu lazer”, argumenta.

Criou-se um impasse. Ameaçada de prisão, Olga decidiu ligar para os treinadores de Darwin, no Instituto Federal Catarinense (IFC), para pedir ajuda. Eles entraram em contato com o comandante do 12° Batalhão de Balneário Camboriú. A situação foi resolvida somente quando um superior dos soldados foi enviado à praia para explicar aos colegas que o uso de cão-guia é um direito legal.

O que aconteceu com Olga e Darwin demonstra que os policiais precisam de uma formação mais humana para compreender que um deficiente visual precisa de um cão-guia. Mas essa situação não ensina somente isso, ela mostra aos policiais e pessoas comuns que é preciso se informar antes de atacar o outro, sob pena de parecer intolerante diante de um direito que está fundamentado em lei. Saber ouvir e ter a paciência de verificar uma informação também são sinais de sabedoria, afinal, a deficiência não é uma roupa que pode ser trocada todos os dias.


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  • Por Eduardo Prestes / Foto: Reprodução 


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