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A responsabilidade também é sua3 min read

O que falta para que os crimes de trânsito não sejam considerados meros acidentes no País?

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Imagine um mundo sem mortes no trânsito. O programa Visão Zero, da Suécia, é um bom exemplo de que isso pode ser possível. O país registra 3 mortes por 100 mil habitantes e a abordagem de segurança viária considera as falhas humanas, reforça os limites de velocidade e o desenho urbano. Mas o Brasil ainda mantém o foco no comportamento nas estradas e não nos erros do sistema.

Segundo o artigo 6 da Política Nacional de Mobilidade Urbana (12.587/2012), os transportes não motorizados têm prioridade sobre os motorizados, assim como os serviços de transporte público coletivo sobre o transporte individual motorizado. Porém, a realidade é diferente. Uma pesquisa do Datasus, de 2016, aponta que o número de pedestres mortos no Brasil em acidentes foi de 8.220 e 1.348 ciclistas. Cerca de 32 ciclistas são internados por dia, o que custa R$ 14,3 milhões ao Sistema Único de Saúde. Será que investir em conscientização no trânsito e em educar a população para respeitar as regras viárias e prevenir acidentes teria um custo tão alto?

Renata Falzoni, cicloativista e idealizadora do site Bike é Legal, defende que o erro está no sistema social. “Precisamos rever a forma como nos relacionamos. Devo aceitar ser atropelado a qualquer momento? Este é um problema das ruas do Brasil, a cidadania e as instituições.” Ela acredita que para o sistema brasileiro salvar vidas é caro, o que é contraditório. O erro estaria na política pública de velocidade que não condena quem mata ou atropela.

Dilemas sociais

A responsabilidade também é suaNo dia 25 de junho, na Rua Augusta, em São Paulo, cinco skatistas foram atropelados quando o motorista José Ferreira entrou acelerando sua Ford EcoSport na rua interditada para a realização do Dia Mundial do Skate. O motorista disse às autoridades que teve medo de ser linchado após os skatistas quebrarem vidros do veículo e, por isso, fugiu atropelando instintivamente.

José não é um caso isolado. Em 2011, o bancário Ricardo Neis atropelou 17 ciclistas num evento em Porto Alegre. A justificativa foi a mesma: pânico e medo de agressões. Neis foi condenado a 12 anos de prisão por tentativas de homicídio, mas ainda está em liberdade.

Os atropelamentos em massa comprovam que a sociedade está longe de punir os culpados. Para André Soares, presidente da União dos Ciclistas do Brasil, há muito crime disfarçado de acidente e as punições são sempre brandas. “Se uma pessoa estourou o pneu, perdeu o controle e atropelou alguém, é um acidente. Mas excesso de velocidade, dirigir bêbado, falando no celular, ou dar uma ‘fina’ em alguém é negligência.”

Especialista em mobilidade urbana, Lincoln Paiva defende que a obrigação do Poder Público é se antecipar aos atropelamentos e não apenas reagir a eles. Ele afirma que não existe direito à cidade nem uma cultura sustentável destinada a pedestres e ciclistas “Nessa hora devemos pensar em proteger também a vida dos outros”, diz.

Entretanto, o Brasil ainda carece de planos educativos contínuos sobre o respeito e a proteção aos vulneráveis no trânsito. Enquanto isso não acontece de forma efetiva, cabe a cada cidadão a consciência da responsabilidade que possui e o respeito ao próximo. Pense nisso.


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  • Por Katherine Rivas / Fotos: Fotolia 


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