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Existem muitas razões para viver10 min read

Cresce o número de pessoas que tiram a própria vida. Saiba como buscar apoio ou oferecer ajuda a quem precisa

Existem muitas razões para viver10 min read

Aos 16 anos, a estudante Jéssica Morbeck (foto ao lado) viu seus dias se transformarem em um sofrimento constante. Na época, os pais dela estavam se separando e o clima em casa estava tenso. Jéssica não sabia muito bem como lidar com a situação. Por isso, preferia guardar a tristeza para si mesma. Aos poucos, os sentimentos ruins foram se acumulando e crescendo dentro dela. “Algumas situações me deixavam muito triste e eu sentia um grande vazio. A dor foi ficando tão forte que era como se fosse um buraco negro. Para tentar aliviá-la, eu comecei a me cortar”, relembra, explicando que praticava a automutilação quase todos os dias.

Para que ninguém notasse, Jéssica preferia o isolamento. O irmão dela, Lucas, chegou a desconfiar que algo não estava bem, mas Jéssica não falou nada sobre sua angústia. Após algum tempo, como a dor parecia não passar, ela começou a sair com amigos e a abusar de bebidas alcoólicas.

A nova escolha também não foi suficiente para resolver o problema. “A desmotivação e o sofrimento só aumentavam, então comecei a pensar em me matar. Não falava para ninguém sobre isso porque achava que iam me julgar, dizer que eu estava doida”,diz.

A mudança

A pressão interna chegou ao limite quando Jéssica completou 19 anos. Ainda assim, ela escondia o sofrimento da família e dos amigos. A gota d’água foi quando a jovem tentou o suicídio. Naquele momento ela percebeu que precisava de ajuda. “Comecei a chorar e pedi ajuda a Deus, não sabia o que fazer. Era uma vida bem triste, eu queria sair daquilo mas não conseguia”, conta.

Depois daquele dia, ela pediu que o irmão a levasse a uma reunião do Força Jovem Universal (FJU), grupo de jovens que ele participa. “Comecei a ir ao grupo todos os sábados. Meu comportamento e minha forma de enxergar as coisas foram mudando”, explica.

Recomeço

Jéssica conta que o apoio do irmão e do grupo foram fundamentais para que ela conseguisse desabafar sobre seus medos. “Achava que seria julgada, mas isso não aconteceu. A fé foi outra coisa importante. Aprendi que a fé me dá forças e me leva a realizar coisas que eu nem imaginava ser capaz”, pontua.

Hoje, Jéssica tem 22 anos, faz faculdade de Direito e participa de ações de prevenção ao suicídio promovidas pelo FJU. “Eu tenho paz e felicidade dentro de mim. Sei que existe saída e que vale muito a pena viver. Meu erro foi achar que poderia passar pelo sofrimento sozinha. Se pudesse voltar atrás, eu teria conversado com meus pais, com meu irmão, teria procurado ajuda antes. Para quem está sofrendo, sugiro desabafar. Você não precisa passar por essa angústia
sozinho”, finaliza.

Suicídios

Todos os anos, cerca de 800 mil pessoas tiram a própria vida em todo o mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Entre jovens de 15 a 29 anos, o suicídio já é a segunda maior causa de morte, perdendo apenas para os acidentes de trânsito.

No Brasil, os casos de suicídio aumentaram 15,3% nessa faixa etária entre 2002 e 2012, passando de 2.515 para 2.900 casos. Os dados são do estudo Mapa da Violência 2014: os jovens do Brasil, organizado pelo sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz.

Embora o problema seja real, falar sobre suicídio ainda é tabu. O assunto é complexo e não é possível apontar uma razão única para que uma pessoa pense em tirar a própria vida. De acordo com a OMS, existem algumas causas que podem influenciar a decisão, como o uso de álcool e drogas, perdas e luto e a depressão.

Razões?

Falar sobre suicídio e mostrar que há solução para o sofrimento são ações importantes para combater o problema, destaca o psicólogo clínico Bayard Galvão. Segundo ele, existem algumas causas que podem levar uma pessoa a ter “um nível de sofrimento elevado”, embora isso possa variar. “O sofrimento pode estar relacionado a problemas como rejeição, bullying, perseguições na internet, abusos, humilhações, pressão pelo sucesso, baixa autoestima, depressão e outros transtornos mentais.

Não é só a depressão que leva uma pessoa a pensar em suicídio. Às vezes, a tristeza começa por ela não saber lidar com o fim de um relacionamento, com a morte, com problemas financeiros. O assunto é complicado, mas não é empurrando para debaixo do tapete que vamos resolvê-lo”, alerta, acrescentando que o índice de suicídios também é alto entre idosos.

Galvão explica que todos podem passar por situações de angústia. O problema é acumular a tristeza sem buscar ajuda. “Se você tem problemas e isso te esgota, tira suas forças, te deixa tenso, ansioso, triste, você precisa procurar ajuda. Se for difícil falar com familiares, procure alguém de confiança, um grupo de apoio ou um psicólogo”, aconselha.

Sinais

Pessoas que já não suportam o sofrimento podem começar a dar sinais de que não estão bem ou de que estão pensando em tirar a própria vida. O desafio de pais, responsáveis, amigos e colegas de trabalho é identificar esses sinais e oferecer ajuda, ensina Eliane Soares, voluntária do Centro de Valorização da Vida (CVV), grupo que atua há mais de 50 anos no apoio emocional e na prevenção ao suicídio.

“Muitas vezes esses sinais passam despercebidos, até porque não estamos atentos a eles. Os principais são mudança brusca de comportamento, afastamento dos amigos, deixar de fazer coisas que antes eram prazerosas, falar sobre morte, usar expressões como ‘não aguento mais’, ‘talvez não esteja mais aqui’, praticar automutilação ou comportamentos de risco.”

Entretanto, ela pondera que, em casos de suicídio, não existem culpados. “Também é importante reforçar que, mesmo que a pessoa tenha dado sinais antes de se matar, quem está próximo, como familiares, não deve se sentir culpado.” O psicólogo Bayard Galvão acrescenta que pais e responsáveis podem pedir ajuda na escola para saber como o filho se comporta, se ele interage com os colegas, se fica isolado ou se sofre bullying.

Ajuda é importante

Os pedidos de ajuda recebidos por e-mail pelo CVV aumentaram 445% e a média diária de visitantes únicos no site subiu 170% após a estreia de um seriado norte-americano que aborda o suicídio. “A maioria das pessoas que utiliza o e-mail e o chat é jovem e adolescente. Vemos nesse aumento algo bastante positivo, pois as pessoas se deram conta de que precisam de ajuda para lidar com suas emoções, seus dramas mais íntimos”, afirma Eliane Soares.

Rodrigo Tavares, coordenador e porta-voz do SOS Jovem, iniciativa contra o suicídio, conta que os pedidos de ajuda ao grupo também aumentaram nas últimas semanas. O SOS é formado por cerca de 180 voluntários, muitos dos quais já passaram por problemas como depressão, automutilação e desejo de morrer. “A maioria das pessoas que nos procura são jovens de 16, 17 anos, muitos falam em tristeza, solidão, uns sentem um vazio, outros enfrentam problemas em casa. Alguns tomam remédios por conta própria ou abusam do álcool para se anestesiar da realidade. Eles têm medo de falar com os pais, pensam que vão ser julgados. Nosso atendimento é anônimo, então eles se sentem mais à vontade”, detalha.

Para Rodrigo, pedir ajuda é fundamental para sair do problema. “Só o fato de desabafar com alguém já dá uma clareza sobre a situação e a pessoa se sente mais leve. Quanto mais rápido buscar ajuda, melhor”, aconselha.

Além do atendimento pela internet entre 23h e 3h, o SOS Jovem ainda realiza campanhas nas ruas e palestras em escolas e faculdades para falar sobre suicídio. “Muitos jovens vêm falar conosco, agradecer, isso mostra que precisamos falar sobre o assunto”, diz ele, acrescentando que qualquer pessoa pode oferecer ajuda. “Hoje, está todo mundo conectado à internet, ao smartphone e todos solitários ao mesmo tempo. Minha sugestão é sair um pouco da internet e olhar para as pessoas que estão ao nosso lado, perguntar se elas estão bem, se precisam de ajuda. Procure apenas ouvir, sem julgar. O diálogo é importante para aproximar as pessoas”, finaliza.

Fé para seguir em frente

O bispo Marcello Brayner, responsável pelo grupo FJU, alerta que os casos de suicídio indicam que é preciso estar atento aos jovens. “Os jovens estão mais suscetíveis à mídia, às influências negativas, ao bullying e a todo tipo de informação e modinha na internet. Falar do assunto é importante para sabermos o que acontece e oferecer ajuda.”

O FJU atua promovendo campanhas de prevenção ao suicídio em ruas de cidades no Brasil e no exterior. A última ação, chamada “Quebrando o Silêncio”, foi realizada em 10 Estados brasileiros e na Argentina.

“Nós encaramos o problema, pois são almas que precisam ser curadas, então trabalhamos na prevenção e conscientização, falamos das soluções possíveis”, afirma o bispo. Ele conclui destacando que a fé é primordial para quem quer superar o sofrimento. “é por meio da fé que o jovem consegue olhar para frente, ver novas possibilidades, ver o próprio valor. O desenvolvimento dá fé vem ao ouvir a Palavra de Deus.”

Você pode superar

Quando a dor e a angústia estão fortes, é difícil enxergar saídas. O sofrimento costuma estar acompanhado de insegurança, baixa autoestima e medo de julgamentos.

Às vezes, a pressão interna é tão grande que é capaz de sufocar, tirar o ar e provocar uma dor constante. Entretanto, por mais que a tristeza pareça insuportável, é possível superá-la e traçar novos sonhos. Se você passa por isso, não desista de sua vida. Se o sofrimento estiver forte, busque alguém para ajudá-lo a encontrar alternativas. Converse com amigos, busque grupos que oferecem ajuda de forma anônima, fale com familiares, consulte um especialista. Se você chegou até o fim deste texto, pode ter certeza: sua vida vale muito.

Ela se cobrava muito

“Aos 11 anos, comecei a ficar insegura e tinha medo de não ser aceita. O receio de ficar só era tão grande que mudava minha personalidade só para agradar aos outros. Eu sentia angústia e tristeza. Em casa, era bem agressiva. Vivia brigando com a minha mãe, não conseguia desabafar. Eu não sentia nada, só um vazio, não tinha sonhos, eu me arrastava. Eu me cobrava muito quando fazia algo que considerava errado. Na minha cabeça vinha a pergunta ‘por que você não se mata?’ Tentei suicídio algumas vezes.

Em 2015, eu estava tão triste, tão pesada, que comecei a questionar se Deus existia e por que Ele não mudava a minha vida. Busquei ajuda na Universal e ouvi o pastor dizer que as pessoas costumam cobrar de Deus, mas não fazem a parte delas, que é confiar, ter fé. Comecei a mudar minhas atitudes e encontrei apoio no grupo de jovens. Aos poucos comecei a mudar. Hoje, sou mais forte, mais corajosa. Não penso em morrer. Sou feliz com o que sou.”

Bianca Rodrigues de Mouras, de 23 anos

13 razões para viver

Inspirado em seriado norte-americano que aborda o problema do suicídio, o grupo Força Jovem Universal preparou 13 motivos para não desistir da vida. Confira:

Faça sua própria história e deixe
um legado!
Você é importante para seus amigos
e sua família (mesmo que às vezes não pareça).
Valorize-se! Não se importe com o que os outros pensam sobre você.
Você pode fazer a diferença na vida das pessoas.
Quando conquistar os seus objetivos, verá que valeu a pena ter resistido.
Você tem a oportunidade de recomeçar
todos os dias.
E de viver momentos incríveis!
Você é mais forte do que tudo isso
que está passando.
A vida é o melhor presente que recebemos.
É uma oportunidade de realizar seus sonhos.
O problema de hoje pode ser a
solução de amanhã.
Você tem valor e é especial.
Deus acredita em você.


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  • Por Rê Campbell / Fotos: Mídia FJU / Arte: Eder Santos 


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