Notícias | 04.02.2017 - 3:05 am


Agressões que podem destruir vidas11 min read

Episódios de violência marcam a vida de crianças e jovens. No Brasil, 43% deles são vítimas dessa prática. Saiba como agir diante do problema

Agressões que podem destruir vidas11 min read

Nas últimas décadas, o bullying se tornou tema de debates em todo o mundo. Apesar do ato estar presente na sociedade há muitos anos, apenas com a disseminação de casos mais graves o assunto começou a ser tratado com mais seriedade.

A prática está presente em diversos ambientes e qualquer pessoa pode ser vítima direta ou indiretamente dela, independentemente de nível social, idade ou grau de escolaridade. Mas é mais recorrente entre crianças e adolescentes.

Uma pesquisa da Organização das Nações Unidas (ONU), feita com 100 mil menores de idade de 18 países, mostrou que, em média, metade deles já foi vítima de bullying. No Brasil, o percentual é de 43%.

Geralmente, os casos geram efeitos nocivos que podem afetar o desenvolvimento do jovem, como aconteceu com o ator Jonathan Lipnicki (foto ao lado), que ficou famoso no cinema ao interpretar Max, em O Pequeno Stuart Little (1999). Recentemente, ele expôs que com apenas 6 anos de idade começou a ter crises de ansiedade e depressão por conta do bullying que sofria na escola.

Ele revelou em suas redes sociais que seus colegas o humilhavam quando ele participou do seu primeiro filme, Jerry Maguire (1996). “Me diziam que eu já tinha ficado para trás e que jamais seria capaz de fechar um trabalho de novo. Fizeram com que eu me sentisse como um lixo todos os dias ao ponto de ter ataques de pânico antes de ir à escola.”

Agora, aos 26 anos, ele diz que superou o trauma. “Eu estive em tratamento por um longo período, pois sentia como se não soubesse como minha vida acabaria.”

Além dos efeitos psicológicos, o bullying ainda provoca consequências que podem ser mais sérias. No último dia 8 de março, por exemplo, a adolescente Marta Gonçalves, de 14 anos, foi morta por estrangulamento dentro da sala de aula em uma escola de Cachoeirinha (RS) após ser agredida por colegas. A polícia ainda apura o motivo da briga. Mas, segundo a investigação, a confusão teria começado porque a adolescente teria sofrido bullying das outras alunas por ser nova na escola.

Nesse mesmo dia, o esportista britânico Adrian Derbyshire, de 42 anos, usou as redes sociais para fazer um alerta sobre esse problema tão comum entre os adolescentes. Aquela seria a data em que ele estaria comemorando a maioridade de sua filha, Julia. Mas isso não aconteceu porque, há dois anos, ela se enforcou e tirou a própria vida, após ter sido vítima de ataques de bullying pela internet por causa de sua aparência e de seu estilo de vida.

Agressões

O bullying é caracterizado quando a vítima sofre um conjunto de atitudes agressivas e repetidas que ocorrem sem motivação. Nelas há a intenção do agressor de hostilizar a vítima, por meio de insultos, intimidações, gozações e violência física. “O bullying pode ser direto, quando as vítimas são atacadas por apelidos, agressões físicas, ameaças, roubos e ofensas verbais. Ou ainda indireto, quando acontece na ausência da vítima. O bullying direto é mais frequente em meninos e o indireto, em meninas”, destaca o psiquiatra Sérgio Tamai, presidente do Departamento de Psiquiatria da Associação Paulista de Medicina.

A ocorrência é muito comum na escola, mas uma nova prática tem sido constante: o cyberbullying. “é o bullying praticado no ambiente virtual, que tem acontecido com mais frequência no mundo. Trata-se do uso da tecnologia para difamar alguém por e-mail, mensagens por celulares, fotos digitais, sites pessoais, etc.”, ressalta o especialista.

As vítimas costumam apresentar particularidades físicas ou psicológicas, como obesidade, uso de óculos, deficiência física, baixa estatura, manchas na pele, sotaques, crenças religiosas ou dificuldades de aprendizagem.

Além de apresentar problemas físicos (cortes, arranhões, hematomas e feridas) e mudanças no comportamento, quem sofre bullying também pode desenvolver doenças psicossomáticas. “A pessoa pode apresentar cefaleia, dores epigástricas, síndrome do intestino irritável, paralisia, anorexia, bulimia, perda de memória, problemas na visão, entre outras”, lista Tamai.

Autoestima abalada

A colunista do blog taniarubim.com, Juliana Furucho (foto ao lado), de 33 anos, conta que quando era criança foi maltratada por uma professora porque seu pai era pastor da Universal. Enquanto morava no Brasil, ela também recebia muitos apelidos por ter olhos puxados. Em 1995, sua família foi enviada para abrir a Igreja no Japão. “Cheguei lá com 11 anos e, por ser brasileira, recebi dos alunos palavras negativas e olhares de desprezo. Os insultos mais leves eram ‘feia’ e ‘gorda’. Não falava bem o japonês, então não sabia me defender. Eu sangrava por dentro, chorava muito no meu quarto e não queria ir para a escola. Me doía saber que meu irmão também sofria bullying na escola dele e eu não podia fazer nada”, diz.

Juliana se sentiu pressionada a ser como os colegas para agradá-los. “Comecei a fazer dietas para emagrecer e ter o corpo igual ao das japonesas. Eu achava que ninguém iria se interessar por mim e me tornei muito fechada, grossa, geniosa, rebelde e cheia de complexos”, recorda.

“Sim, eu era a filha do pastor, mas somente Deus sabe quanta amargura e até desejo de morrer eu tinha dentro de mim. Não aguentava mais tanta angústia. O pior é que eu descontava a raiva nos meus pais, mas nunca contei nada a eles. Foi um grande erro meu. Hoje sei que se tivesse pedido ajuda teria evitado muitas lágrimas”, ressalta.

Ela reconhece que o bullying causou outros problemas interiores. “Por conta do que passei, vinham dúvidas em minha mente sobre a existência de Deus, pois como ele poderia permitir que eu passasse por tantas coisas ruins?”

Por volta dos 14 anos, Juliana decidiu pedir ajudar para Aquele que poderia resolver seus problemas. “Eu orei a Deus e disse: ‘se o Senhor realmente existe, então eu quero vê-lO na minha vida’.” Ela começou a ler mais a Bíblia e ir à Universal com maior frequência. Logo recebeu a restauração de que precisava. “Aquela tristeza, rebeldia, grosseria e revolta desapareceram. Eu já não duvidava da existência de Deus, pois O conheci de verdade. Me tornei uma nova pessoa”, afirma.

Efeitos duradouros

Não é apenas na infância e na adolescência que a vítima sofre com as consequências dessa prática. “Crianças vítimas de bullying são mais propensas a sofrerem depressão e baixa autoestima quando adultas, o que trará prejuízos no desenvolvimento profissional e nos relacionamentos afetivos”, revela o psiquiatra.

As pesquisas confirmam. Segundo um levantamento feito pelo Estudo Nacional de Desenvolvimento Infantil Britânico, os efeitos dessa prática podem ser desastrosos por longos anos. Foi avaliado que os participantes que sofreram ataques na infância apresentaram alto índice de ansiedade, isolamento, insatisfação e pensamento suicida aos 45 anos, comparados àqueles que não viveram isso.

E não é apenas a vítima quem desenvolve problemas ocasionados pelo bullying, mas também o agressor. Outro estudo, feito pela Universidade de Warwick, no Reino Unido, revelou que crianças que sofriam ou praticavam bullying apresentaram mais risco de desenvolver problemas de saúde quando adultos, de fumar com frequência ou de ter algum tipo de transtorno psiquiátrico.

Atuação constante

O psiquiatra Sérgio Tamai alerta que os pais precisam estar atentos ao comportamento dos filhos. “Apesar do sofrimento, as vítimas raramente admitem ou reclamam da violência recebida por medo de represálias ou ainda por se acharem merecedoras desses atos.”

é preciso também observar suas atitudes para que eles não se tornem praticantes do bullying. Se em casa, a criança se depara com agressões na família, ausência de afetividade e inexistência de diálogo, estará mais propensa a repetir tudo isso.

A escola também pode ajudar nesse controle. Para o psiquiatra, o enfrentamento do bullying envolve uma parceria contínua dos pais com a escola. “Deve-se exigir que as escolas tenham procedimentos preventivos e normas claras e objetivas, aplicadas com rigor e transparência; formação de uma equipe multidisciplinar e interinstitucional visando à formação continuada dos educadores; treinamentos através de técnicas que estimulem os alunos a adquirirem habilidade para lidar de diferentes formas com o bullying; e formação de grupos de apoio, que protejam os alvos e auxiliem na solução dessas situações”, finaliza o especialista.

Desistência

A estudante Thayana Paixão (foto ao lado), de 20 anos, começou a sofrer bullying no ensino fundamental. A jovem, que é de Macaé (RJ), diz que sofreu as consequências até o final da adolescência. “Meus colegas me colocavam apelidos, me excluíam e não gostavam de fazer trabalho comigo. Nos intervalos, eu ficava isolada, porque eu era tímida e não conseguia me relacionar com as pessoas.”

“Uma vez colocaram uma carta anônima com xingamentos na minha mochila. Já fui humilhada na frente de todos os colegas. Todas as vezes que eu entrava na sala de aula era um tormento. Eu me lembrava da forma que era tratada por todos, escutava os gritos na minha mente e tinha vontade de sair correndo. Fiquei traumatizada e parei de estudar com 16 anos”, conta.

Essa experiência traumática mudou o seu comportamento. A moça que até então era reservada se tornou rebelde e inconsequente para chamar atenção das pessoas. “Eu comecei a andar com más companhias, ir a festas, beber, usar drogas e a me envolver com vários homens. Cheguei a ficar com oito homens em uma mesma noite. Eu contraí o HPV e fui me afundando cada vez mais. Até que cheguei ao extremo e enviei fotos íntimas a um rapaz.”

As imagens se espalharam e ela ficou muito envergonhada. E, em meio a solidão, decidiu buscar ajuda. “Eu estava com 18 anos e cheia de feridas para serem curadas. Levei aproximadamente um ano para me livrar de tudo isso. Mas, graças a Deus e com a ajuda e o apoio que recebi no Força Jovem Universal, consegui superar meu passado”, relata.

Depois de muito tempo sem pisar em uma sala de aula, hoje ela está fazendo o supletivo para concluir o ensino médio. “Há três anos recebi a cura interior. Descobri que existe um Deus que é capaz de nos transformar em novas pessoas. Eu só estou bem hoje porque Ele me proporcionou liberdade e me trouxe paz e alegria”, finaliza

De volta à escola

O professor de matemática Bruno Ferreira Lucas (foto ao lado), de 23 anos, foi vítima e praticante de bullying na infância. No entanto, hoje procura conscientizar seus alunos para este problema. “Eu era muito competitivo e, para provar minha força, batia nos alunos. Também criava apelidos e zombava deles. Depois de alguns anos, percebi que esse comportamento estava me prejudicando. Queria mudar, mas voltei a praticar bullying por incentivo dos meus amigos”, explica.

Quando começou a estudar em uma escola particular, alguns alunos o perseguiam por não ter uma condição financeira estável. “As outras crianças tinham uma vida melhor do que a minha, por isso eu era excluído. Elas também falavam dos meus dentes e da minha orelha. Eu ficava chateado, reprimido e não conseguia me socializar. Em casa eu não tinha o amor de pai e na escola sofria essas exclusões, então minha agressividade foi a válvula de escape. Para me sentir aceito pelos populares, eu acabava agredindo os demais”, comenta.

A mudança veio quando ele conheceu a Deus. “Eu vou à igreja desde os 5 anos de idade, porém a mudança da minha postura só ocorreu quando passei a ter um compromisso verdadeiro com Deus. Houve uma troca de identidade e de caráter. De um jovem agressivo, arrogante e prepotente me tornei tranquilo e paciente. Eu entendi que fazia tudo aquilo porque havia um vazio em mim, que foi preenchido quando eu busquei a presença de Deus”, relata.

Em sua trajetória profissional, Bruno já viu muitos alunos praticarem bullying, mas sempre procura alertá-los. “Eu falo para eles que é errado e pergunto se gostariam que fizessem o mesmo com eles. Os estimulo a se aproximarem dos outros e me coloco à disposição de todos para que se sintam à vontade para pedir ajuda”, enfatiza.


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  • Por Janaina Medeiros e Débora Vieira / Fotos: Fotolia, AFP, Arquivo Pessoal e Marcelo Alves / Arte: Eder Santos 


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